Cópia ou inspiração?

“Um dos fundadores da Sociologia, Gabriel Tarde propõe em seu livro As Leis da Imitação que as classes inferiores imitam as classes superiores, refletindo o desejo de ascensão social e esta imitação geraria o principio de mudanças estilísticas nas roupas pelo desejo das classes superiores de distinguirem-se das classes inferiores.  Para Gilles Lipovetsky (O Império do Efêmero) o princípio de imitação é o único gerador das mudanças da moda.”

Esse é um trecho do trabalho que fiz no último semestre e escolhi o tema que relaciona as Guerras Mundiais com a evolução do vestuário feminino. Aprendi muito, li bastante e agora,  pensando de uma forma um pouco mais crítica, revi o caso das cópias e inspirações, que ultimamente tem gerado muitas discussões, principalmente pela onda de it-bags.

O que Tarde disse em 1890 continua valendo para a nossa sociedade, podemos torcer o nariz, reclamar que nunca vai usar uma peça “inspired”, mas acredito que não exista uma peça no nosso guarda-roupa que tenha um quê de cópia ou inspiração dos grandes estilistas. 

Mas aí vem a pergunta: onde estão os limites? Falsificação, é o limite para mim. Sabe, aquelas com os logos das grifes, super mal feitos? Não dá! O caso das bloggers francesas Betty e Loiuse com a Zara foi um péssimo exemplo de cópia-falsificada. A Zara falhou, e muito, em não pedir autorização delas pelo uso de imagem. Eles mudaram algumas coisinhas, mas estava na cara de onde se “inspiraram”. E as bolsas de moleton o que são? Difícil de responder, já que são iguais as originais, apenas feitas em outro material. Acho que faltou criatividade, sério, dava para fazer um inspired melhor das it-bags usando o meleton e teria mais aceitação do público.  

Gostando ou não gostando, sempre vai existir esse problema de um produto ser cópia de outro mais famoso e não tem como evitar, é a vida. Tenha por exemplo o iPhone que tem mil versões ching-lings por aí, que funcionam do mesmo jeito e são bem mais baratos, não que isso torne o iPhone menos desejado ou pior, só torna o mercado mais competitivo e obriga as grandes marcas inovarem cada vez mais.

E vocês, o que acham? :)

4 thoughts on “Cópia ou inspiração?

  1. Acho que existe uma linha tênue entre a falsificação e a inspiração. Particularmente não sou muito fã das peças “inspired”, mas como você mesmo disse, é impossível fugir de peças que tenham sido inspiradas em algum estilista ou marca conhecidos. É um dilema!


    Camila F.

  2. muito bom o texto, carol, ainda mais pq você está muito embasada no assunto.
    eu não compraria uma falsificação pela marca, mas se o negócio me encantasse muito e tivesse possibilidade de comprar uma cópia baratinha, não pensaria duas vezes.
    acho realmente uma coisa bizarra isso de colocarem um preço astronomico para diferenciar as classes, por exemplo. já comprei um vestido maria bonita extra por 800 contos, mas tambem ja comprei um outro por 150. mesmo marca, mesmo tudo, pra que tanta diferença de preço? questões artisticas para valorizar a criação? se for assim, até valorizo, mas a gente sabe que tem muito pouco a ver com isso…

    beijos.

  3. polêmica no ar..ainda mais citando as it bags né?!
    Mas concordo plenamente com oq disse e com a citação que contextualizou tudo,
    sempre existiu, ainda mais na moda..sempre vai existir, se não cada vez mais.
    O caso da Zara foi descarado e muito negativo..o das ir bags não sei se tenho um ponto de vista formado..
    mesmo pq os preços das originais, assim como dos Iphones, são absurdos.. e não seria a inspired de moletom uma democratização assim como os celulares ching=ling?
    Tenho minhas dúvidas e acho que pelo menos eles assumem a “cópia” ao já descrevê-las como inspired né..seria muito pior se simplesmente colocassem o produto nas prateleiras.. mesmo pq se a pessoa sabe e conhece a original vai identificar logo de cara a semelhança, mas às vezes quem não conhece nem sabe que se trata de uma versão simplificada e mais acessível da primeira..
    Estou doidinha pra encontrar uma inpired que dê pra segurar e que não imite logo nem nada..pq o modelo é lindíssimo e faz mto meu estilo..
    mas essas cópias fiéis e mal feitas sou contra também, off course!

    But..como disse tudo tem limite, inclusive e principalmente essa questão! O negócio é saber onde fica a barreira do aceitável e do não né..hehe
    Beijo beijo

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